Quem cuida do cuidador? Tristeza, depressão, estresse

cuidador - estresseEm artigos anteriores já tratamos dos problemas enfrentados pelo cuidador em seu dia a dia, muitas vezes solitário e não raras vezes esquecido.

Por sua grande importância, voltamos ao assunto pelas sérias consequências na vida e na saúde, não apenas do cuidador, mas também do paciente com demência, além de implicações na estrutura familiar.

13 dicas para reduzir a tristeza e o estresse de cuidadores

O estresse é um dos maiores problemas enfrentados pelos cuidadores em sua tarefa. A melhor prevenção é a adoção de uma postura proativa de combate à  tristeza profunda que toma conta do cuidador.

Tristeza é uma emoção normal do ser humano e, na maioria das vezes, é causada por alguma dificuldade, por uma mágoa, por experiências frustradas,   por sensação de impotência frente a um problema, por incompreensão e falta de apoio de outras pessoas.

Na tarefa diária de cuidar de pacientes com demência, a ocorrência destas situações são muito mais frequentes e a tristeza decorrente, não raras vezes, vem acompanhada de uma depressão.

Esse trabalho tão desgastante parece infrutífero?

Para não entrar no círculo vicioso que se cria – tristeza – depressão – desânimo – mais tristeza – mais depressão – mais desânimo e estresse,  os cuidadores devem evitar cair em algumas armadilhas, muito  comuns  no seu enfrentamento da demência (como a doença de Alzheimer e outras).

O que fazer? Eis algumas sugestões.

  1. Não queira carregar o mundo sozinho em seus ombros. Não assuma mais responsabilidade do que você pode atender. Aprenda a pedir ajuda quando precisar. Procure se cercar de amigos e parentes que possam compartilhar o pesado fardo. Não entre sozinho nesta tarefa.
  2. Planeje as atividades de cada semana ou, pelo menos, do dia seguinte. Cuidar de idoso com demência é uma tarefa árdua, desgastante, que exige planejamento. Aprenda a fazer uma lista das tarefas e programar a execução delas, começando pelas mais importantes. Não improvise. Tenha um plano de atividades programadas com antecedência, isso permitirá focar em um assunto de cada vez, economizando energia e reduzindo a ansiedade.
  3. Crie uma rotina. Dentro do planejamento, crie uma rotina diária de atividades que precisam ser executadas todos os dias, estipulando o tempo aproximado gasto em cada atividade. Com isso estaremos, ao mesmo tempo, melhorando nosso desempenho e também conferindo ao paciente uma sensação de segurança. A repetição, sempre no mesmo horário, de atividades habituais é importante para os pacientes com demência, pois reduzem neles a sensação de insegurança. Resumindo: o planejamento antecipado  e uma rotina permitirão programar eventuais folgas, uma substituição temporária por alguém, que por sua vez, também terá tempo para se programar.
  4. Tenha a consciência da importância do seu trabalho. E não se esqueça de se auto congratular pelo que faz. Não esqueça que você está cuidando de uma pessoa que precisa muito de você. Uma pessoa que não consegue executar corretamente as atividades da vida diária (AVD’S) sem sua ajuda. Repetindo, é muito importante, que o cuidador tenha sempre isso em mente. E as pessoas que nos circundam também têm que saber.
  1. Procure praticar atividades de relaxamento e redução do estresse. Mude o foco de sua atenção. Dentro do planejamento, crie espaços para um “break” durante o dia. Tente a meditação, pratique yoga, descanse sua mente, visualize cenas reconfortantes e prazerosas, ouça músicas de sua preferência, leia um livro ou, se você gosta, até mesmo, divirta-se com joguinhos de computador.
  2. Preste muita atenção à sua própria saúde. Cuide de sua alimentação, com refeições saudáveis. Exercite-se regularmente, fazendo disso uma obrigação diária. Procure dormir o bastante para garantir o descanso necessário para o seu organismo.
  3. Negocie uma trégua: é imprescindível, é obrigatório. Você precisa sair um pouco. Peça ajuda a parentes ou amigos de confiança para que fiquem um pouco em seu lugar, algumas horas por semana, deixando-o sair para se dedicar a si mesmo. Fazer algo que o leve a ambientes diferentes, ir a um cinema, encontrar amigos num café ou num bar, para “jogar conversa fora” e coisas assim. Certamente vai se sentir muito melhor após estas poucas  horas de “liberdade”. Quando retornar, seu trabalho como cuidador será melhor.
  4. Procure serviços de centro dia. Centros-dia são entidades que oferecem cuidados profissionais de saúde e serviços de socialização para adultos com demência, por dia ou por períodos do dia ou da semana. Contratar tais serviços, semanalmente por exemplo, poderá liberar um dia ou algumas horas para o cuidador se dedicar a si mesmo.
  5. Procure saber tudo sobre demência e sobre envelhecimento. Informação é poder, vai lhe dar mais confiança no que faz e mais controle da situação. Embora seja muito difícil encontrar tempo, ainda, para estudar sobre o assunto, faça um esforço adicional. Sempre é bom saber um pouco mais sobre a doença e sobre o paciente. Esse algo mais de conhecimento poderá fazer uma grande diferença. Aprender coisas novas que melhorem seu trabalho de cuidador vai lhe dar uma sensação gratificante de ter segurança no que está fazendo e que você tem o controle da situação.
  6. Não hesite em contatar profissionais de saúde. Ou instituições especializadas em ministrar cursos sobre procedimentos gerontológicos, estimulação cognitiva e outros que possam ajudar a fazer seu trabalho melhor, e de forma mais eficaz e mais segura..
  7. Junte-se a grupos de apoio. Lá você poderá aprender muito com a troca de experiências, ideias e dicas que podem efetivamente fazer a diferença. Além disso, irá conhecer pessoas que entenderão você, pois vivem situações semelhantes às suas. E muito importante – vai constatar que você não está só. Entre no site da AbrazAssociação Brasileira de Alzheimer e descubra a sub-regional mais próxima.
  8. Encontre alguém com quem desabafar. Você precisa de pessoas com quem falar sobre suas frustrações e também sobre seus sucessos, em sua função de cuidador. Se a família não faz isso, encontre amigos que o façam. Você poderá encontrar pessoas assim nos grupos de apoio ou no seu círculo de amizades. Transforme suas amizades em relacionamentos mais significativos. Deixe acontecer. Aprenda a identificar pessoas que se disponham a lhe ouvir.
  9. Você também precisa de um médico. Visite seu médico, regularmente, para cuidar de sua saúde. Preste atenção aos sinais de estresse e relate-os ao seu médico. Ele lhe ensinará métodos que ajudarão a para reduzir o estresse.
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  1. One thought on “Quem cuida do cuidador? Tristeza, depressão, estresse

    Boa noite!!
    Comecei a ler a matéria e me interessei
    Cuido de minha mãe com demensia e de
    Um ano e meio mais ou menos meu pai
    Sofreu um AVC e agora cuido dos dois 24 hs
    Por dia, desde remédios, refeições, casa
    Roupas banhos higiene em um todo
    Agora até compras de tudo para alimentação
    E verificar os medicamentos qdo estão acabando
    Tudo mesmo!!!
    Mas ultimamente estou estremaremos
    Esgotada
    Não tenho ajuda nenhuma de Meus irmãos
    Nem para o banho de meu pai ou se quer fazer-lhe a barba
    Cortar as unhas, coisas mais fáceis
    Não sei o que fazer pois se negam também em arrumarem
    Uma pessoa para me ajudar
    Já estive para denuncia-los na delegacia dos
    Idosos
    Não saio para me distrair em nada
    Nunca, enquanto eles não mudaram uma vírgula na vida deles para me ajudarem
    É mesmo porque são os pais deles idosos e doentes
    Tão triste esta situação !!
    Por favor se puderem me ajudar fico imensamente grata
    Pois não tenho tempo às vezes nem de tomar um banho sonegada
    Já pedi até Missericórdia há um deles
    O casula e ele me respondeu que cada um tem uma cruz
    E eles são a minha
    Eu não acho que eles são Minhas Cruz
    Fasso tudo isso por amor
    Não tenho coragem de deixá-los
    Mas também preciso de ajuda
    Pois sinto que estou ficando ou já estou no meu limite
    Não sei mais a quem recorrer
    Se for possível me ajudarem fico imensamente grata

    Níceia B Souza

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