Como fazer pacientes com Alzheimer tomarem banho?

Idoso conduzido ao banho

O que fazer quando se negam a tomar banho?

Um dos problemas mais comuns enfrentados pelos cuidadores é fazer pacientes de Alzheimer tomarem banho  – se negam e, muitas vezes, ficam até mesmo agressivos ante de muita insistência.

E o cuidador pode perder sua paciência e se descontrolar. Pois saiba que:

  • A recomendação médica é que idosos tomem banho no mínimo duas vezes por semana para reduzir os riscos de infecção, incluindo a urinária, especialmente em mulheres na UTI.

  • Pra combater o “não” frequente tente fazer com que o convite pareça apenas mais uma rotina normal do dia a dia – “Hoje é terça-feira. Como tomamos banho todas as terças de manhã, vamos a ele, e depois farei um belo café da manhã”.
  • Continue com reforços positivos, elogiando e oferecendo prêmios caso  sejam cordatos e concordem. Repetindo esse procedimento insistentemente a  cada banho, como parte de uma rotina perfeitamente normal, incute no paciente o hábito de tomar banho. Sim, tem que ser praticado como muita insistência e repetição. Não se esqueça de sempre elogiar após o banho tomado.
  • Tenha tudo pronto à mão (sabonete, shampu, toalhas, muda de roupa, etc.) antecipadamente. A temperatura do banheiro deve ser confortável, aquecido se necessário em dias frios, e uma música suave pode ajudar. Seja incisivo e claro, dizendo “Seu banho está pronto. Deixe-me ajudá-lo com a roupa (ou sapatos ou algo assim)”. Comece ajudando a ligar o chuveiro e conferindo a temperatura da água e dizendo “madame (ou senhor), seu banho espera por você”.
  • Se não houver outro jeito, recorra ao médico para que prescreva em seu papel de receituário “Senhor (ou senhora) fulano de tal precisa tomar banho duas vezes por semana para controle de infecção”. Tenha várias cópias desta prescrição para uso futuro. Mostre a prescrição ao paciente dizendo-lhe “são ordens do médico“.
  • Também pode informar que o paciente irá para um consulta médica naquele dia e não pode chegar lá sem banho, com maus odores.
  • O banho deve ser dado na hora e do modo que o paciente está acostumado, quer dizer que se é de manhã antes do café, deve ser neste horário. Se está acostumado a banho de banheira deve ser respeitado este modo, a menos que alguma recomendação ou problemas físicos não o permitam.
  • Alguns pacientes com demência desenvolvem medo da água, especialmente água caindo em suas cabeças. Eles podem se sentir inseguros e ameaçados.Se for o caso, use o chuveirinho manual fechando o chuveiro de cima. Assim o paciente consegue controlar e direcionar o fluxo da água para onde deseja.
  • Incentive o paciente a se lavar sozinho, tanto quanto possível. Se podem fazê-lo por si só, deixe-o fazer; mesmo que malfeito e você tenha que refazer, deixe-o primeiramente tentar sozinho. Isto dá a ele a sensação de poder e de ter feito algo com sucesso. Ainda que ele consiga apenas cuidar da roupa, enquanto você tem que cuidar do resto, deixe-o fazer o que consegue. Deixe-o sentir-se participante, no limite de suas possibilidades. A mesma coisa vale para lavar a cabeça.
  • Aplique os mesmo conceito para a tarefa de se enxugar e secar. Permita que faça tudo o que puder fazer por si mesmo, ainda que tenha que refazer parte. Sempre elogie e premie pelo banho tomado, enaltecendo a limpeza, o perfume, a sensação de bem estar, por exemplo.
  • Algumas pessoas precisam ser distraídas com outros assuntos para tirar o foco do banho. Por exemplo, cantar no chuveiro, dar-lhe alguma coisa colorida para segurar e olhar enquanto está no banho, como uma bola de borracha para apertar ou uma esponja em forma de animal.
  • Algumas pessoas são recatadas, reservadas, e isso pode ser o motivo de dizer “não”. Respeite sua intimidade permitindo que cubram seu corpo ou parte dele no banho. Talvez com uma toalha. Lave por baixo da mesma.
  • Segurança vem primeiro.É preciso instalar barras de segurança adequadamente posicionadas para que o paciente possa segurar. O piso deve ser também forrado de material antiderrapante para evitar quedas.
  • Se o banho for em banheira, talvez o paciente tenha medo de entrar porque precisa passar por cima das bordas. Tente usar uma prancha de transferência. Uma placa de plástico ou madeira, larga o suficiente na beira da banheira, que permita à pessoa sentar-se com as pernas do lado de fora; depois sobre a prancha, faça-o girar e por as duas pernas dentro da banheira; já dentro da banheira, retire lentamente a prancha.

Finalmente, terminado o banho e o paciente já vestido, elogie o feito, marque e mostre no calendário o dia do mês do banho. Faça isso a cada vez. Eventualmente você poderá criar um quadro visual para mostrar os dias em que o paciente tomou banho – todas as terças e sextas feiras, por exemplo. Depois de algum tempo, ao constatar mês a mês, as datas do banho, verá que isso é uma coisa normal.

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E se tiver outra dica ou experiência, conte-a, compartilhe, será de grande ajuda e desde já agradecemos seus comentários.

Artigo original de Carole Larkin (ThirdAge Services LLC, Dallas, TX).

Tradução livre e adaptação de T. Mizutani

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